terça-feira, 27 de outubro de 2009

Querida Vovó Didi....

Minha querida Avó Materna me repreendia quando eu, menino ainda, me queixava de medo do escuro das noites. " Não seja tôlo, me dizia terna, você tem que entender que sem as noites os dias não seriam possíveis. Perceba que tudo é vida, tudo é natureza...assim o teu medo cessará." Hoje percebo quão sábias eram aquelas veementes ponderações, especialmente nos dias atuais, onde o quadro de catástrofes climáticas afetam gravemente os seres no Planeta. Muitas vozes, algumas com uma nítida conotação profético-religiosa, se erguem bradando que o fim dos tempos está próximo, muitas imagens terríveis e alertas metereológicos são veiculados nos horarios nobres das mídias e vários fóruns ambientais preservacionistas são organizados. Creio que todos esses segmentos tem a esperança de conscientizar as pessoas e assim preservar a espécie humana de um "mal maior" em futuro próximo. Nada tenho contra qualquer método que conscientize alguém, tornando-o mais atento e respeitoso nas suas inter-relações, porém segundo o que penso, essas ações voltadas somente para garantir a sobrevivência da especie humana, é o nosso maior equívoco, ou como queiram, nosso "maior mal", pois nos separam como espécie de todos os outros seres vivos. O Budha do nosso Eon, em todos os seus ensinos, nos auxiliou a encontrar a maneira correta de nos relacionarmos com os fenômenos e os seres neste Planeta...pensamento ético, conduta ética e relacionamento ético. Entender corretamente esse caminho é entender todos os nossos relacionamentos, inclusive o relacionamento com o meio ambiente - que deve significar bem mais que somente proteger o ser humano nele inserido, mas também o solo, as águas, as árvores e todos os outros seres vivos. Essa compreensão conduz, inequivocamente, a um processo de despoluição das nossas mentes e gera uma nova e abrangente abordagem do problema, a Ecologia Ética...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Relacionamentos Éticos.....

Em seu último senso da população mundial, o Worldwatch Institute, com sede na cidade de Washington-EUA, estimou que o número de habitantes no Planeta hoje é de 6.8 bilhões de pessoas, e apresenta um gráfico da expressiva explosão demográfica à partir do século XIX, onde subsidia essa significativa informação.

No ano de 1800................ 1 bilhão de habitantes;
em 1930 ...................... 2 bilhões;
em 1990 ...................... 5.5 bilhões;
em 2000 ...................... 6.2 bilhões.
Neste mesmo gráfico fáz uma previsão, à partir da constatação de que a população mundial cresceu, na média, cerca de 3%-ano, de que seremos algo em torno de 9.2 bilhões de habitantes em 2050. Número assustador diante do quadro atual, especialmente se recuarmos no tempo 40.000 anos atráz, período onde segundo a Palenteologia surgiu o homem moderno, e posteriormente avançarmos até o ano de 1800, constataremos atônitos o enorme lápso no tempo que as sociedades humanas gastaram para alcançar o primeiro bilhão de habitantes, e no entanto bastaram apenas mais 130 anos para mais que dobrar esses números, adicionando cerca de 80 milhões de habitantes por ano, neste breve período. Muito embora a intervenção transformadora do ambiente natural pelas sociedades humanas, tenha sido uma constante desde os primórdios do aparecimento do homem na face do Planeta, os dados estatísticos mostrados recentemente pelo sério instituto americano, revelam inequivocamente o cerne dos graves problemas sociais, econômicos e ambientais, que nos afligem na atualidade. A maior mudança sócioambiental resultante desse impactante crescimento demográfico, é a climática, causada principalmente pela emissão de gases de efeito estufa. Entre esses gases, que a ênfase consumista das sociedades hodiodernas lançam na atmosfera, aquele que mais rapidamente contribui para criar uma espécie de"barreira térmica" - que absorve e retém a radiação infravermelho, (calor ), devolvendo-a para o solo, e que em condições normais seria irradiado para o espaço; é o dióxido de carbono, que é proveniente da queima de combustíveis fósseis, (carvão, petróleo e gases). As consequências imediatas já se fazem notar, por exemplo no recuo das geleiras em todo o Planeta, no gelo mais fino no Àrtico e nas sensíveis alterações nas estações climáticas do ano. Recentemente o National Oceanic and Atmosphere Admistration, também com sede em Washington, revelou, após analizar as mudanças de temperatura oceânica nos últimos 50 anos, que o conteúdo de calor no oceano mundial aumentou cerca de 10wats m2-ano naquele período, e tem emitido alertas aos governos no mundo sobre as populações que residem a poucos metros do nível do mar, pois na medida em que o calor requerido para derreter os mantos de gelo polar e elevar o nível dos oceanos em pelo menos 1 metro, é de 12w m2-ano, estariamos assim muito próximos , cerca de 0,7w m2 à 1.0w m2, de um desequilíbrio com dimensões sócioambientais muito amplas e que, caso não forem significativamente equacionadas, poderiam em futuro bem próximo serem a matriz de acontecimentos que comprometeriam a sobrevivência de parcelas consideráveis da população humana e de muitos outros seres vivos no Planeta. O que pretendemos, à partir dos fatos aqui alinhados, é alertar que o ambiente natural está fragilizado num extremo que não encontra parâmetros possíveis em qualquer outro momento da história das sociedades humanas modernas, e que não será válido, como na antiguidade já se fêz, transferir as responsabilidades com explicações de índole meramente cosmogênicas, onde um Supra-Sêr pune inocentes terráqueos. Em particular creio essencial ressaltar que a contemporaneidade do farto debate sobre poluição ambiental, deve incluir necessariamente a clara percepção de que é o modelo de comportamento humano, absolutamente anti-ético, que ameaça a vida de todos os seres vivos no Planeta, e que : a explosão populacional; a ênfase excessivamente consumista; os solos,os lagos, os rios; e os mares em franco processo de desvitalização, vitimados pela chuva ácida; os manguezais, vitais para a manutenção da vida marinha, sendo drenados para as lavouras; pesticidas utilizados sem nenhum controle efetivo; petroleiros poluindo os oceanos diariamente, enfim...estas, entre muitas outras ações, correm por conta da atuação desordenada e irresponsável das sociedades humanas em sua interação com o ambiente natural. Me parece válido ainda, ao finalizar este texto, revelar que este espaço é, essencial e democraticamente, um fórum de expressão de todos que se coloquem em consonância com a preocupação mundial de preservação do ambiente natural e de todos os seres vivos nele inseridos.